Indústria do cobre se prepara para mudanças tributárias e intensifica combate à informalidade
SINDICEL destaca avanço da rastreabilidade da sucata, diálogo com Secretarias da Fazenda e desafios de um mercado que deve registrar 374 mil toneladas de cobre importado.
A indústria brasileira de cobre está diante de um período de importantes transformações. A valorização internacional do metal, as mudanças previstas na reforma tributária e a informalidade na comercialização de sucata estão exigindo novas estratégias das empresas que integram a cadeia produtiva.
Esses desafios foram discutidos durante encontro com empresários e representantes do setor, no qual a diretoria do SINDICEL apresentou indicadores econômicos e destacou iniciativas voltadas à rastreabilidade do cobre.
Para a entidade, ampliar a transparência das operações e fortalecer o diálogo com o poder público são medidas fundamentais para garantir maior segurança ao mercado.
Informalidade representa metade da sucata estimada
Segundo os dados apresentados durante o encontro, a expectativa é de que o mercado brasileiro encerre o ano com aproximadamente 374 mil toneladas de cobre importado.
Desse volume, cerca de 160 mil toneladas correspondem à sucata. A estimativa apresentada pela entidade aponta que aproximadamente 80 mil toneladas estejam inseridas no mercado informal, sem os mesmos mecanismos de controle encontrados nas operações regulares.
“Das 160 mil toneladas que a gente está falando, 80 mil toneladas de cobre de sucata são informais”, afirmou o presidente durante o encontro.
A dimensão desse mercado reforça a necessidade de criar mecanismos que permitam identificar a procedência do material e estimular a regularização das operações.
Rastreabilidade avança com novas empresas
O projeto de rastreabilidade apresentado pelo SINDICEL busca acompanhar a origem e a circulação da sucata de cobre, contribuindo para ampliar a transparência e a segurança das operações comerciais.
A iniciativa também pretende incentivar a adesão de empresas e fortalecer a formalização da cadeia produtiva.
“Eu acho que esse é o grande desafio que a gente tem no setor: trazer mais gente para o jogo, para a rastreabilidade do cobre”, destacou o presidente.
Segundo a diretoria, o projeto vem registrando novas adesões e apresentando avanços nos últimos meses.
“É mais uma empresa, mais uma forma de aderir, mais um entrante ao projeto de rastreabilidade. Então isso é muito bom. Estamos avançando”, afirmou um dos diretores.
Secretarias da Fazenda entram na agenda
O avanço da rastreabilidade também envolve aproximações com representantes do poder público. Durante o encontro, foram mencionadas conversas em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, incluindo contatos com Secretarias da Fazenda.
A intenção é discutir mecanismos capazes de estimular a regularização da cadeia de sucata e ampliar a segurança das operações.
“Até dezembro deste ano, a gente apresenta para as secretarias o resultado da rastreabilidade do cobre. Em prol da gente, é ter a normalização das 80 mil toneladas para aqueles que aderem ao projeto”, afirmou a liderança da entidade.
Outro tema considerado estratégico foi a discussão sobre a possível inclusão do cobre entre os minerais críticos, diante de sua importância para o abastecimento industrial.
Split payment exige atenção da indústria
Entre os principais assuntos debatidos esteve o split payment, mecanismo previsto na reforma tributária que modifica a dinâmica de recolhimento dos tributos nas operações comerciais.
Representantes do setor destacaram que as empresas deverão acompanhar atentamente as novas regras de responsabilidade tributária, especialmente nas relações com fornecedores e compradores.
“A gente vai ter um desafio a mais nessa situação para administrar, que é a colaboração entre quem paga o imposto e quem não paga. Você pode ser corresponsável. Então é mais um ponto de atenção nessa questão”, afirmou um dos diretores.
Para a indústria, a rastreabilidade ganha ainda mais relevância diante da necessidade de conhecer a origem dos materiais e garantir maior transparência nas transações comerciais.
Valorização internacional reforça importância da reciclagem
O cenário internacional também contribui para a urgência das discussões. Durante a apresentação, foi mencionada uma cotação do cobre próxima de US$ 14,5 mil, evidenciando o valor econômico crescente da matéria-prima.
Com o metal mais valorizado, a sucata assume papel estratégico para a indústria brasileira, especialmente diante da necessidade de ampliar a reciclagem e o reaproveitamento.
Para o setor, sustentabilidade e rastreabilidade passam a ser elementos importantes para garantir uma cadeia produtiva mais segura, transparente e competitiva.
Setor reúne mais de R$ 80 bilhões em faturamento
Ao encerrar o encontro, a liderança do SINDICEL destacou a dimensão econômica das empresas representadas pela entidade.
Segundo os dados apresentados, essas empresas somam mais de R$ 80 bilhões em faturamento.
“Numa sociedade onde a gente representa mais de R$ 80 bilhões de faturamento, somos todos nós aqui em conjunto. É esse o faturamento que a gente leva para a cabeça e a nossa responsabilidade.”
O presidente também defendeu maior união entre as empresas diante das transformações econômicas, regulatórias e institucionais.
“Eu acho que a gente tem um desafio de estarmos unidos como associação. É isso que eu peço para cada um.”
Para o SINDICEL, ampliar a adesão ao projeto de rastreabilidade e fortalecer a cooperação com os governos estaduais são caminhos importantes para reduzir a informalidade e aumentar a segurança da cadeia produtiva.
Em um cenário de valorização internacional do cobre e mudanças no sistema tributário, a indústria brasileira reforça a necessidade de acompanhar a origem e a circulação da matéria-prima, buscando construir um mercado mais formal, sustentável e transparente.








