Polícia do Irã diz entender reivindicações de manifestantes, mas não vai tolerar o “caos”
Em meio a dias de protestos contra a crise econômica, a polícia iraniana afirma compreender as reivindicações populares, mas promete agir para impedir “caos” nas ruas. A escalada de tensões reabre debates sobre direitos civis, repressão estatal e o impacto da deterioração econômica nas grandes cidades iranianas.
Contexto e motivação dos protestos
As manifestações emergiram de um cenário de inflação alta, perda de poder de compra e desvalorização do rial. Comerciantes, estudantes e trabalhadores de serviços foram às ruas em cidades estratégicas, incluindo Teerã, Mashhad e Isfahan, cobrando medidas concretas para conter preços e recuperar empregos.
“A ordem pública será mantida. Entendemos as demandas econômicas, mas não aceitaremos desordem e vandalismo”, disse um porta-voz da polícia.
Dinâmica das ruas e relatos
Comerciantes relatam queda brusca nas vendas e alta de custos fixos. Estudantes denunciam desemprego e falta de perspectivas após a graduação. Trabalhadores de serviços afirmam que salários estagnados não acompanham a alta de alimentos e combustíveis.
“Não conseguimos mais sustentar nossas famílias. Protestar é a única saída”, disse um comerciante em entrevista a veículos internacionais.
Declarações oficiais e resposta estatal
A polícia insiste que não permitirá a transformação de atos em “caos”, associando depredação e bloqueios prolongados a riscos à segurança. Paralelamente, autoridades alegam que forças externas estimulam as manifestações, enquanto analistas independentes apontam a crise doméstica como motor central dos protestos.
“Estamos atentos às demandas, mas os protestos não podem ser instrumentalizados para desestabilizar o país”, reiterou um oficial em coletiva à imprensa.
Reações internacionais
Governos ocidentais pediram moderação e respeito aos direitos civis. A União Europeia reforçou que protestos pacíficos são parte essencial de sociedades resilientes. Nos Estados Unidos, autoridades acompanharam a evolução dos atos e pediram que não haja violência estatal.
“A comunidade internacional observa com preocupação. A proteção de civis deve ser prioridade”, disse uma autoridade europeia.
Pressões econômicas
A inflação de itens básicos e a volatilidade cambial têm impactos diretos no cotidiano. Relatos indicam que o preço de alimentos essenciais dobrou em meses, e que combustíveis e transportes comprimem orçamentos familiares.
“A cesta básica já não cabe no salário. Estamos escolhendo entre gás e comida”, afirmou uma moradora.
Memória recente
Os atuais atos lembram ondas de protestos anteriores, como os de 2019 e 2022. Em todos os casos, a combinação de crise econômica e restrições civis alimentou ciclos de contestação.
“Sem reformas e diálogo, a legitimidade do Estado se fragiliza. O custo de ignorar a crise social é sempre maior”, avaliou um analista ouvido pela imprensa estrangeira.










