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Do susto ao laudo: veja ponto a ponto do acidente com ônibus de excursão no Centro de Porto Alegre

Na tarde de 3 de outubro de 2025, um grave acidente envolvendo um ônibus de turismo deixou 55 estudantes, duas acompanhantes e o motorista em situação de risco no Centro Histórico de Porto Alegre. O veículo acabou desgovernado, atingiu diversos carros e provocou incêndio em um edifício. Agora, com o laudo oficial divulgado, pode-se traçar com clareza como o incidente ocorreu — e as responsabilidades que têm sido apontadas. 

🧩 Cronologia do ocorrido

  1. O ônibus saiu de Vacaria, Serra do Rio Grande do Sul, transportando os 55 estudantes com duas acompanhantes, com destino ao palácio do governo gaúcho.  
  2. Ao entrar no Centro Histórico de Porto Alegre, o coletivo transitou pela Rua Espírito Santo, onde uma frenagem foi feita porque o veículo “enroscou” em cabos de energia elétrica. O motorista acionou o freio de estacionamento e desceu para checar a situação.  
  3. Enquanto o condutor ainda estava fora do ônibus, o veículo começou a se mover sozinho, desceu por cerca de oito segundos sem controle e colidiu com cerca de 10 veículos estacionados na via e em seguida atingiu o prédio ao lado, gerando incêndio.  
  4. O fogo se alastrou do ônibus para o prédio, que abrigava cerca de 40 famílias. Os moradores tiveram de ser evacuados; 12 pessoas receberam atendimento médico. Nenhuma vítima fatal foi registrada.  
  5. A investigação e perícia foram iniciadas imediatamente. O órgão responsável — Instituto‑Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP) — concluiu que a causa foi uma falha mecânica no sistema de freios.  

📋 Principais achados do laudo

  • A perícia concluiu que “a única hipótese tecnicamente possível e suficiente” é uma falha na válvula pneumática ligada à alavanca de freio de estacionamento.  
  • Foi identificado desgaste acentuado no pino rolete das sapatas de freio das rodas do eixo de tração, o que teria reduzido a eficiência tanto do freio de serviço quanto do estacionamento.  
  • O veículo circulava com aproximadamente 25 toneladas, mais que o dobro do limite permitido para aquela rua (12 toneladas).  
  • O laudo descarta falha humana como causa direta (não foi apontado dolo ou conduta intencional do motorista).  

🤔 Pontos de atenção e implicações

  • Peso acima do permitido: Embora não seja o fator causal principal segundo o laudo, o excesso de peso comprometeu a segurança — o veículo estava em condição fora da norma para aquela via.
  • Manutenção e inspeção: O desgaste significativo no sistema de freios levanta questionamentos sobre a manutenção preventiva da empresa de transporte e conformidade com normas.
  • Restrição viária: Após o acidente, a circulação de ônibus na Rua Espírito Santo foi proibida no trecho afetado pela viação Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) em Porto Alegre.  
  • Responsabilização criminal: O delegado à frente do caso informou que o motorista será ouvido novamente, porém a tendência é de não indiciamento, já que o caso é tratado como lesão corporal culposa e não intencional.  
  • Impacto para as vítimas: Apesar de não haver mortos, o susto foi grande — tanto para os estudantes quanto para moradores do prédio atingido. A empresa afirmou ter prestado apoio psicológico e deu cumprimento às obrigações de transporte de retorno.  

🔍 O que podemos aprender

  • Mesmo sem feridos graves, este tipo de ocorrência evidencia uma combinação de fatores: manutenção técnica, adequação ao tráfego (peso e restrição de via), fiscalização e conduta operacional.
  • A separação entre falha mecânica e falha humana é complexa em acidentes de transporte — a perícia técnica lhe atribuiu caráter mecânico, mas as condições de uso (como o peso) também serão foco para responsabilização civil e administrativa.
  • Para empresas de transporte de excursão escolar, trâmites como seguro, vistoria e protocolos de segurança ganham ainda mais relevância — especialmente quando se trata de rota com estudantes e circulação em áreas centrais de cidades.
  • Para órgãos públicos, a restrição de tráfego para veículos pesados em vias históricas ou com geometria complexa (como descidas íngremes) é reforçada pela ocorrência.

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