Porto Alegre (RS) — A Polícia Civil indiciou uma mulher por estelionato qualificado, exercício ilegal da profissão e falsidade ideológica, após descobrir que ela atuava como psicóloga sem formação em diversas cidades da Região Metropolitana. O caso, que chocou famílias de pacientes neurodivergentes, foi apurado pela 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), com apoio da Delegacia de Ivoti.
Segundo a investigação, a suspeita realizava atendimentos presenciais e on-line, cobrando R$ 130 por consulta, e utilizava o registro profissional de outra psicóloga para aplicar golpes em famílias que buscavam acompanhamento para filhos com autismo (TEA), TDAH e outras condições neuropsicológicas.
De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo total estimado é de R$ 48 mil — valor obtido a partir de dezenas de atendimentos realizados de forma fraudulenta.
👮♀️ Investigação e denúncia
As investigações começaram após denúncias de pais e responsáveis que desconfiaram da atuação da falsa profissional. Em depoimento, algumas vítimas relataram que a mulher demonstrava falta de conhecimento técnico e evitava mostrar diplomas ou documentos de registro profissional.
A Polícia Civil confirmou que nenhum diploma de Psicologia foi encontrado em seu nome, e que o CRP utilizado pertencia a outra psicóloga, que não tinha relação com os atendimentos.
A suspeita deverá responder pelos crimes de estelionato qualificado, exercício ilegal da profissão e falsidade ideológica, podendo pegar até 10 anos de prisão somadas as penas.
🧩 Atendimentos a pacientes neurodivergentes
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais por envolver crianças e adolescentes neurodivergentes. A falsa psicóloga teria se aproveitado da vulnerabilidade das famílias e da dificuldade em conseguir vagas com especialistas reais na rede pública.
As vítimas foram encaminhadas para acompanhamento psicológico com profissionais credenciados e apoio jurídico. O Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRPRS) reforçou o alerta para que os pacientes sempre verifiquem o registro profissional antes de iniciar qualquer tratamento.
⚠️ Orientação às famílias
A Polícia Civil orienta que pessoas que acreditam ter sido vítimas da falsa profissional procurem a Delegacia de Polícia Civil mais próxima ou denunciem de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181.
O caso reforça a importância da verificação do registro profissional de psicólogos e terapeutas junto ao site oficial do CRP, especialmente em atendimentos voltados a crianças e adolescentes.










