O que os adolescentes sentem e raramente dizem sobre depressão

O que os adolescentes sentem e raramente dizem sobre depressão

A depressão na adolescência é marcada por emoções intensas que, na maioria das vezes, não são verbalizadas. Vergonha, medo de julgamento e dificuldade de compreender os próprios sentimentos fazem com que muitos jovens enfrentem o sofrimento sozinhos.

“Muitos adolescentes não conseguem nomear o que sentem”, explica a psicóloga Paula Ribeiro. “Eles sabem que algo está errado, mas não encontram palavras.”

O psiquiatra Otávio Martins observa que essa dificuldade de expressão emocional é comum. “O sofrimento pode coexistir com momentos de riso e interação, o que confunde adultos.”

Emoções invisíveis e mal compreendidas

Sensação de vazio, desesperança, culpa excessiva, autocrítica intensa e perda de sentido estão entre os sentimentos mais relatados por adolescentes em sofrimento psíquico.

“A dor emocional não deixa marcas visíveis”, afirma a terapeuta Juliana Costa. “Por isso, muitas vezes ela não é levada a sério.”

Segundo a psicóloga Fernanda Lopes, o jovem costuma acreditar que seus sentimentos são exagerados ou inválidos.

O silêncio emocional como defesa

O silêncio não é ausência de sofrimento, mas uma estratégia de defesa. Muitos adolescentes evitam falar para não preocupar a família ou para não se sentirem um peso.

“Eles aprendem cedo que demonstrar fragilidade pode gerar críticas”, explica Paula Ribeiro.

O terapeuta Bruno Azevedo destaca que o silêncio prolongado aumenta o risco de agravamento do quadro. “O sofrimento internalizado se intensifica.”

O papel dos adultos no reconhecimento precoce

Adultos atentos conseguem perceber mudanças sutis: isolamento progressivo, irritabilidade constante, alterações no sono e perda de interesse.

“O adolescente raramente pede ajuda diretamente”, explica a psicóloga escolar Mariana Lopes. “É o adulto que precisa se aproximar.”

O educador Ricardo Menezes reforça que escutar sem julgamento fortalece o vínculo e abre espaço para o diálogo.

Prevenção começa com conversa

Falar sobre saúde mental de forma aberta reduz estigmas e incentiva pedidos de ajuda.

Para a especialista em saúde pública Patrícia Nogueira, o diálogo é ferramenta de prevenção. “Quanto mais cedo falamos sobre emoções, menores são os riscos.”

Tratar a saúde emocional como prioridade coletiva é essencial para proteger adolescentes.

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